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Mulheres e o fundamentalismo: A religião no caso da PEC 181/15 (Parte 1)

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Em vez do fim da religião, a contemporaneidade reafirma a religião com um papel central na sociedade. Mesmo esta não sendo o local principal na produção de sentido, esta ainda é fundamental no espaço público e na construção de personalidade pós-moderna. Há a ascensão da ideia de indivíduo e isso mexe na religiosidade. A grande questão trazida por esse processo de secularização foi a diferenciação a qual separou a religião daquilo com o que ela comumente se misturava (Taylor, 2010). Foram, assim, criadas esferas específicas onde a religião iria atuar e estes não valeriam para outras esferas sociais, como o da saúde e da educação. Isso não significa, porém, que a religião foi marginalizada ou que se saturou, muito pelo contrário. Antes a religião moldava a sociedade e agora ela continua preponderante, de modo privado. Este modo privado muda de forma direta a sociedade porque as pessoas também convivem no espaço público. Nos movimentos feministas cada vez mais se afirma que o p...

Mea Culpa (sobre saúde mental e fé - Parte II)

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A imagem corresponde a Rafaela María Porras Y Ailon, mulher santificada pela igreja Católica e vivida de uma história que muitas conhecem: "No auge de sua via, Rafaela foi destituida da direção da ordem religiosa que ela fundou e proibida de exercer qualquer cargo. Em vez de insurgir-se contra a injustiça e destruir a reputação da ordem, ela aceitou o exílio em um pequeno convento em roma. Rumores de que ela sofria de problemas mentais perseguiram Rafaela em seu novo lar e as irmãs do convento não lhe deram atenção. Ela suportou trinta anos desse "purgatório de inatividade" e procurou ser útil varrendo o chão." (Gallick em Livro das Santas, p.22) Mea culpa! Rafaela sofreu por toda sua vida a culpa de possuir um problema psicológico. Passou trinta anos vivendo a margem da ordem que fundou e sua paciência santa é motivo para a canonização desta mulher. Sua entrega, sabendo de suas limitações, tem sido louvado como exemplo as mulheres que possuem doenças mentai...

O Deus de 2017

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Teologar significa, literalmente, falar sobre Deus (Theo/Logos). E, desse Deus, eu preciso falar muito sobre. Este Deus que diz haja luz e houve luz. Esse Deus que cria os pequenos e belos animais que contamos para as crianças. A ovelha, o leãozinho, o cachorrinho, mas também a barata, o mosquito da dengue, o escorpião, a serpente que fez toda a humanidade cair. Se ele ama tanto as pessoas, por quê ele faria isso? Deus que pede a Abraão para matar seu filho apenas para testar. O mesmo Deus que devolve seu filho, deixa a filha de Jefté ser morta por uma aposta que seu pai fez. E mata todos os filhos de Jó, por uma aposta de Deus com o diabo. Este aparece na brisa, na tempestade, na fé do grão de mostarda, nas manifestações do apocalipse, na misercordia de um pastor e na ira do Senhor dos Exércitos. O que faz a bancada evangélica apoiar o trabalho escravo e que faz o movimento de feministas cristãs lutarem pelos direitos trabalhistas. O que apoia a PEC 181/15 da criminalização...

O mito da conversão (Em blogs parceiros - Parte II)

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    Por que nós vemos tanta igreja por ai? Por que achamos importantes as igrejas? Algumas comunidades, – já digo, pode ser neopentecostal ou não – baseadas na Teologia da Prosperidade e antropocentradas, são construídas na busca de poder político e sobre os corpos da nossa comunidade. Porém, a maioria das igrejas que conhecemos, aquelas pequeninas que foram criadas na garagem do seu vizinho que fala muito bem, por mais que acabem exercendo poder sobre as pessoas, não tem esse objetivo primeiro. O seu Manuel, que durante a semana faz pão e domingo vai pregar, tem um desejo muito legítimo e sincero de que as pessoas se convertam. Ele pode até pedir para a mulher deixar de usar calça, mas é porque ele ama e deseja profundamente salvar sua alma. Da mesma forma, quando um missionário vai para uma tribo e sugere que os membros deixem práticas da cultura, não é porque ele quer destruir uma cultura. É porque, na cabeça dele, ele prefere um índio sem cultura no céu do q...

Suspiros (Pequenas Reflexões - Parte IV)

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*suspiro* 🍃 Ei - disse Deus - você consegue agora perceber que eu estou aqui? Guardo pequenas memórias que compõem o sentido de ter uma fé. Como qualquer relação, essa teia de vivências vai compondo o quadro de complexidade e forma uma boa rede sólida aonde dá para deitar. Tendo a rede estavel, mais você poderá balançar, para lá e para cá, sentir o vento no rosto, circular em suas maiores possibilidades. Sentar, ler, trazer gente para dentro. Coisas que você talvez nunca imaginou possível. Mas teça sua rede com calma, guarde os retratos daquelas boas lembranças. A angústia nos leva ao caminho contrário, o caminho do esquecimento, do apagamento da experiência. Não se deixe levar por ela. Ela não vale o valor que damos. Porque a Sua ira dura só um momento; no Seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Salmos 30:5 A aliança está aqui, logo a sua frente. Guarde com carinho. 17 de agosto de 2017   Esper...

E recebereis poder (Pequenas Reflexões - Parte III)

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E recebereis poder... Poder! Quem o deseja? Quem deve o ter na mão?  Existem duas formas de receber o poder: através da forma legítima, a qual uma pessoa precisa deste direito e capacidade para sobreviver e aquela que rouba desta pessoa. Fora dessas formas, não tem como ter poder, pelo menos da parte de Deus. Ele jamais concede poder para os sãos, pois a sabedoria de Deus é feita para confundir, para os loucos, doentes, para a margem, aos pequeninos.  E recebereis poder... A gente só entende a necessidade real e espiritual de poder quando estamos em vulnerabilidade. A coragem para tocar nas vestes de Jesus só dá pela extrema fragilidade daquela pessoa. Quando somos fracos, aí somos fortes. E irá descer o espírito, em grego paracletos que significa o que vem para quem o chama. Mas chamar mesmo, clamar, como os discípulos perseguidos, confusos com a situação de Jesus que ascendeu. A instabilidade nos convoca a querer poder, poder real, pod...

As mulheres do início do presbiterianismo brasileiro: o caso de Elizabeth Simonton (Em blogs parceiros - Parte I)

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Quando contamos a história da reforma protestante, nós comumente temos um caminho bastante simplório. Primeiramente, estudamos a reforma protestante como algo que somente ocorreu a partir de 31 de outubro de 1517, quando Lutero colocou na catedral de Wittenberg as 95 teses. A partir desse ponto, estudamos os teólogos (leia-se no masculino) europeus que encabeçaram este novo momento da cristandade. Apesar de ser um tema importantíssimo de pesquisa, acredito que esse material já possui bastante olhares. O tema da Reforma protestante é muito mais amplo do que isso. Houveram pré-reformadores antes dessa história se marcar nessa data e muitas águas rolaram até que hoje você, leitor, se considere protestante ou, sendo mais honesto, evangélico. E algumas dessas contribuições esquecidas da Reforma Protestante são vindas de mulheres. Algumas de nós, maioria também mulheres, estamos na luta para buscar a história perdida destas grandes personagens históricas, como a própria Catarina...