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Mostrando postagens com o rótulo infância

Força

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Aviso de gatilho: violência física, sexual, pedofilia, automutilação. - Acesse a sua força. – Foi a última expressão que minha terapeuta falou. Assim, vagamente, parece uma frase pronta que qualquer site ou postagem de saúde mental estaria dizendo a fim de impactar pessoas que não muito corriqueiramente pensam sobre si. Para quem sabe pouco, pouco basta. Porém sou uma doutoranda em psicologia, uma teóloga. Para quem se enrijeceu muito, muito é necessário, pouco me afeta. Difícil ser cristã quando pouco te afeta. No caso de ser psicóloga, até é bom. Mas quanto a minha fé, se torna bastante difícil. Recentemente meus pais me convocaram a ver vídeos de meus aniversários, de um a oito anos. Meu marido precisava ver e eu acho essa nostalgia levemente divertida. Me vi rindo e me divertindo, abraçada com amigos e familiares e por um instante até longo eu realmente acreditei que tinha tido a infância perfeita. Cheguei a me questionar por que eu me neguei tanto a gostar de me ver crianç...

O monstro que mora em todos nós

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Durante minha infância tive muitos amigos imaginários de vários tamanhos, formas e complexidades. Neste havia alguns monstros, acolhedores e assustadores, que me compunham nesse universo interno que criei somente para mim. Eu era uma criança muito introspectiva e tinha muito medo do mundo – provavelmente era muito mais monstruoso do que minha imaginação conseguia chegar.  Quando cresci, pensei por um bom tempo em estudar sobre o fenômeno dos amigos imaginários, mas acabei estudando religião que, sendo bem sincera, é uma forma culturalmente aceita de expressar muito do que está somente em nossa imaginação. A religião conseguia acolher esses monstros e elaborá-los de forma bonita e adequada a sociedade. Mas continuam sendo monstros. Por um acaso da leitura bíblica anual estou lendo a história de dois assassinos: Paulo e Davi. O primeiro perseguia um grupo religioso e testemunhou diversos assassinatos horrendos, de modo a ser extremamente temido pelos cristãos. ...

Os tímidos herdarão o Reino dos Céus

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Por que sois ainda tímidos? Ainda não tem fé? (Marcos 4:40b) Introspectivo. Covarde. Fraco. Medroso. Fechado. Misterioso. Metido. Isolado. De Má vontade.Sem fé. São termos que pessoas que são tímidas já ouviram alguma vez na vida.Somos péssimos, somos tímidos. O mundo não é feito para pessoas como nós . Eu me lembro do grande incômodo da minha família com o fato de eu não ser uma criança sociável e falante como minha irmã. Aos cinco anos, a escola que eu freqüentava convocou meus pais fala que estes procurassem uma fonoaudióloga para mim, pois eu não me comunicava com meus colegas de classe. Diversos vídeos de aniversários meus quando menor eram tristes demais, pois eu quase não aparecia e falava. Durante muitos anos achava que era uma criança estranha, só depois tive consciência de que era um jeito introspectivo apenas. As pessoas normalmente não percebem que personalidade tem características que consideramos na área de saúde como biopsicosocial (OMS). Isso é, te...

Religião e Infância parte II - Sua igreja é pedófila

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(Exposição "As crianças intocáveis" de Erik Ravelo)  Em 2009 foi bastante divulgada a reportagem da menina de 9 anos que estava grávida de gêmeos. Pobre, moradora de Alagoinha, interior de Pernambuco, era estuprada há anos pelo padrasto assim como sua irmã, de 14 anos, deficiente física. O caso fez bastante sucesso porque se enquadrava num caso que a justiça brasileira teria o direito de conceder o aborto seguro: risco de vida da gestante e estupro. E, de fato, ela o fez com aceitação da mãe que estava bastante abalada com o caso por não saber dos abusos cometidos pelo companheiro. Porém, não bastasse o caso ser difícil por si só, o Arcebispo de Pernambuco – Dom José Cardoso Sobrinho - logo após a realização do aborto comunicou diretamente a imprensa que todos os adultos envolvidos no aborto e a menina estavam excomungados da Igreja Católica . O argumento do Arcebispo para essa condenação tão rápida foi que “isso aconteceria a qualquer um que realizasse aborto” ...

Religião e infância parte I – Fé (como) das crianças.

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“[...] quando os antropólogos dizem, por exemplo, que o ritual simboliza algo, estão partindo de um pressuposto adultocentrico, na medida em que a experiência das crianças com relação ao ritual é totalmente diferente [...]” (PIRES, 2010, p.157) Estou desejosa de falar sobre religião e infância há muito tempo. Porém, por incrível que pareça, sabe-se muito pouco acerca do tema e comenta-se pouco da necessidade de falar sobre isso. Sim, necessidade. Afinal, vivemos num país com uma população de 24,2% de crianças até 14 anos e que possui uma base religiosa fortíssima (92% possui alguma religião professa), sem que isso sequer seja citado. Nossa mentalidade é tão adultocêntrica que vivemos como se nós fossemos os protagonistas do mundo, capazes de escolher, de tomar responsabilidades enquanto crianças são seres secundários. Da mesma forma com a religião. A segunda parte desse post será especificamente sobre a relação de crianças com as igrejas, porém neste quero ...