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Psicologia e Religião

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Segue um breve texto que divulguei na plataforma Fala Psi (https://www.facebook.com/falapsioficial/?fref=ts) acerca de Psicologia e Religião No Brasil hoje, segundo o censo do IBGE de 2010, há aproximadamente 92% de pessoas religiosas e não é estranho que esse assunto surja, também, nos consultórios de Psicologia. Tanto o paciente como os psicólogos são atravessados pelas suas crenças e descrenças que o compõem como seres no mundo e isso é absolutamente normal. É assegurada por lei a liberdade religiosa no Brasil, no artigo 5 inciso VI da Constituição Federal de 1988, a todas as pessoas e também que nenhum profissional pode ser proibido de exercer uma profissão devido a sua espiritualidade. Todavia, a forma que a espiritualidade se encontra no consultório nem sempre é posta de forma ética. O código de ética do psicólogo é expressamente claro, no artigo 2º tópico b, ao dizer que é vedado ao psicólogo induzir a convicções religiosas durante o exercício profissional, da mesma fo...

[Descobertas] Os últimos dias – Liev Tolstoi

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Eu sempre tive certa desconfiança quando observava páginas anarquistas e encontrava nelas textos do Tolstoi. Afinal, quando pensamos em anarquismo sempre vem a mente grandes nomes políticos Bakunin, Proudhon, Kropotkin, entre outros militantes. E, ao pensar anarquismo e cristianismo, outros que pensaram diretamente esse assunto, Jacques Ellul e Vernard Eller. Aos poucos, fui conhecendo esse lado diferente de Tolstoi, bem distinto do livro que eu gosto muito que é Guerra e Paz. E essa outra faceta era impossível de não se apaixonar, pois sou vegetariana, cristã sem dogmas, anarquista e apaixonada por literatura. Comecei a desvendar por conta própria essa personalidade dele num livro facilmente encontrado em sebos, chamado Últimos Dias, que nada mais é que uma compilação de cartas. A edição é clássica e bela pela Penguin Companhia, de bom tamanho  e excelente grupo de tradutores e comentaristas que se deram o trabalho de apresentar, produzir a linha do tempo e agrupar o mate...

As mulheres ressurgirão!

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A Páscoa, literalmente, significa passagem. Passagem porque é uma lembrança antiga da libertação do povo hebreu de um sistema de escravidão que durante anos os aprisionou no Egito. Nesse grande processo estavam mulheres, homens e crianças seguindo em busca de uma nova esperança, um lugar que fosse próprio, deixando tudo para trás, atravessando mares e desertos. Assim, os judeus desde pequenos, quando se aproximavam a época da Páscoa , já sabiam que ela representava libertação , uma passagem da escravidão para a vida. Jesus foi ensinado dessa forma também. Porém, viver esse doloroso trajeto, sendo o próprio a viver um deserto é muito diferente do que apenas saber sobre a Páscoa, sobre o cordeiro que precisou morrer, como o próprio Jesus experimentou . Tão diferente que os discípulos homens, quando ouviam que era necessário morrer para viver, que o destino de Jesus seria doloroso, eles não entendiam. Não era de sua vivência a extrema dor e a capacidade de suportá-la, esta era s...

Minha fé, minha solidão

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[Desenho pelo Nakedpastor] É triste, porém muito comum a associação da ideia de mulher com a ideia de solidão. Ouvimos em coletivos feministas sobre a solidão da mulher negra, da mulher trans e das mulheres imigrantes. Temos as dificuldades que ouvimos também, de mulheres que vão sozinhas andar na rua, circular pela cidade e o quão desamparadas elas se sentem. Falamos de solidão ao lembrarmos daquelas que sofrem violência doméstica, do silêncio que isso produz e o afastamento da família de origem. Parece que quando nos lembramos de mulheres, é quase que corriqueiro a associação a algum tipo de desamparo . Vivemos numa sociedade que sobrevive pela ideia de que a mulher é parcial, que algo as falta – no caso, um homem. E, de fato, como um ser humano inserido num ambiente coletivo, sentimos, sim, falta. Se a falta é um homem, é questionável. Como cristã, vejo que boa parte da falta que sentimos diz respeito a uma necessidade nossa de viver em plenitude com Deus, com todas as ...

[descobertas] Anarquia e Cristianismo

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Havia flertado com o Anarquismo no início da faculdade porém não segui em frente com os estudos. Recentemente essa chama pelo Anarquismo reacendeu de uma forma bem estranha e pouco política. Quando iniciei meus estudos com cristãos sem Igreja, trabalhei principalmente com o livro do Cristianismo Pagão do Frank Viola e o Igreja Orgânica do Neil Cole, os dois autores Norte-americanos. Aos poucos fui percebendo como este movimento tinha um lugar nos Estados Unidos particularmente e, quase que espontaneamente, também percebi que nesses livros não havia um interesse estrutural e política na forma de se entender o Reino de Deus. A mudança era basicamente no conceito de Igreja e como isso se manifesta em sociedade. Assim, o questionar a autoridade do Pastor, para Frank Viola, não tinha nenhuma proximidade com o recusar a autoridade de um patrão. Porém, para mim, eu não conseguia fazer essa dissociação. Por isso, fui procurar a forma de organização que mais questionava os lugares de...

Como (des)conhecer a Deus

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[Uma representação da Trindade possível] No movimento estudantil cristão em que faço parte, nós usamos um material que nos ajuda a captar como a pessoa que estamos evangelizando está em relação a fé dela chamado Conecta. Trata-se de um jogo de fotos a qual a pessoa escolhe de acordo com a forma que ela deseja responder as perguntas que fazemos. E nesse jogo existem três perguntas principais: Quem é Deus para você? O que você já viveu espiritualmente na sua vida? E o que você desejaria viver? A partir disso, construímos pontes entre o que acreditamos e o que eles já possuem de fé a fim de haja um objetivo final – conhecer a Deus. E conhecer a Deus é muito simples para quem deseja o Deus cristão. Não faltam materiais das mais diversas categorias de como o fazer. Um bem simples e direto é o das Quatro Leis Espirituais. Deus ama o ser humano, porém esse decide pecar. E, como o ser humano não consegue chegar a Deus, Jesus teve que vir salvar. Só que saber isso não é suficient...

Existe feminismo sem as religiosas?

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[Rute e Noemi, daquelas sororidades mais antigas conhecidas] Durante uma noite de supervisão do estágio, ouvi de uma colega feminista que faz parte do mesmo grupo de trabalho que eu que havia entrado muitos evangélicos na nossa faculdade, de psicologia. Ela falou isso enfatizando o caráter retrógrado desse grupo religioso e contou-me de uma caloura, recém chegada à faculdade, evangélica, que destilava machismo e homofobia em suas opiniões. E, com muito orgulho, minha colega de estágio disse que fizeram uma pressão tão grande contra essa menina por suas ideias que ela saiu da faculdade. Essa conversa me afetou profundamente, não porque concorde com qualquer discurso opressor, porém porque esta tirou o espaço numa faculdade pública de uma menina de uma classe social pobre. Uma irmã da minha fé. Alguém que ouviu algo contra aquilo que a constituía como pessoa, dentro da faculdade de psicologia e teve que sair. E dificilmente uma menina dessas um dia se tornará feminista. Outra ...