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[descobertas] Anarquia e Cristianismo

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Havia flertado com o Anarquismo no início da faculdade porém não segui em frente com os estudos. Recentemente essa chama pelo Anarquismo reacendeu de uma forma bem estranha e pouco política. Quando iniciei meus estudos com cristãos sem Igreja, trabalhei principalmente com o livro do Cristianismo Pagão do Frank Viola e o Igreja Orgânica do Neil Cole, os dois autores Norte-americanos. Aos poucos fui percebendo como este movimento tinha um lugar nos Estados Unidos particularmente e, quase que espontaneamente, também percebi que nesses livros não havia um interesse estrutural e política na forma de se entender o Reino de Deus. A mudança era basicamente no conceito de Igreja e como isso se manifesta em sociedade. Assim, o questionar a autoridade do Pastor, para Frank Viola, não tinha nenhuma proximidade com o recusar a autoridade de um patrão. Porém, para mim, eu não conseguia fazer essa dissociação. Por isso, fui procurar a forma de organização que mais questionava os lugares de...

Como (des)conhecer a Deus

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[Uma representação da Trindade possível] No movimento estudantil cristão em que faço parte, nós usamos um material que nos ajuda a captar como a pessoa que estamos evangelizando está em relação a fé dela chamado Conecta. Trata-se de um jogo de fotos a qual a pessoa escolhe de acordo com a forma que ela deseja responder as perguntas que fazemos. E nesse jogo existem três perguntas principais: Quem é Deus para você? O que você já viveu espiritualmente na sua vida? E o que você desejaria viver? A partir disso, construímos pontes entre o que acreditamos e o que eles já possuem de fé a fim de haja um objetivo final – conhecer a Deus. E conhecer a Deus é muito simples para quem deseja o Deus cristão. Não faltam materiais das mais diversas categorias de como o fazer. Um bem simples e direto é o das Quatro Leis Espirituais. Deus ama o ser humano, porém esse decide pecar. E, como o ser humano não consegue chegar a Deus, Jesus teve que vir salvar. Só que saber isso não é suficient...

Existe feminismo sem as religiosas?

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[Rute e Noemi, daquelas sororidades mais antigas conhecidas] Durante uma noite de supervisão do estágio, ouvi de uma colega feminista que faz parte do mesmo grupo de trabalho que eu que havia entrado muitos evangélicos na nossa faculdade, de psicologia. Ela falou isso enfatizando o caráter retrógrado desse grupo religioso e contou-me de uma caloura, recém chegada à faculdade, evangélica, que destilava machismo e homofobia em suas opiniões. E, com muito orgulho, minha colega de estágio disse que fizeram uma pressão tão grande contra essa menina por suas ideias que ela saiu da faculdade. Essa conversa me afetou profundamente, não porque concorde com qualquer discurso opressor, porém porque esta tirou o espaço numa faculdade pública de uma menina de uma classe social pobre. Uma irmã da minha fé. Alguém que ouviu algo contra aquilo que a constituía como pessoa, dentro da faculdade de psicologia e teve que sair. E dificilmente uma menina dessas um dia se tornará feminista. Outra ...

Conto: O nome do Éden

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[O beijo do Klimt para ilustrar meu conto]      Sono de uma noite mal dormida, uma cama que não era minha, talvez fosse essas as experiências mais próximas do que eu estava agora. Dias passados que não lembraria mais. Um local diferente, com cores jamais vistas, animais livres, natureza exuberante e uma multidão de pessoas nuas, de peles incríveis, naturalidade contagiante. Quando acordei, vi todo esse quadro exuberante, que provavelmente passei alguns minutos só observando tanta beleza junta.Por último, me percebi: uma mulher nua, cheia de terra por cima, com o meu corpo do jeito que sempre sonhei. Mas... Quem sou eu? Dificilmente conseguiria explicar o que senti. Eu tinha certeza de que era eu , me identificando, mas não conseguia recordar absolutamente nada. Tentei lembrar-me durante algum tempo, sem o menor sucesso até eu perceber que uma pessoa, outra mulher, estava me olhando, como se esperasse para falar comigo, rindo-se sozinha ao analisar ...

De que igreja você é?

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[adoro os desenhos do nakedpastor!] “De que igreja você é?” Essa pergunta. Quantas vezes me fizeram essa pergunta e eu, incomodada, não sabia o que responder. Talvez de vergonha, talvez com medo de dar muita explicação. Talvez porque essa pergunta não fizesse muito sentido para mim. Porém, esta sempre esteve presente. Não posso negar que, se eu fosse uma pessoa simples, diria com facilidade: Sou presbiteriana, criada na Catedral Presbiteriana do Rio. Isso mesmo, do rev. Guilhermino, da rádio. E agora estou na igreja presbiteriana Luz do mundo. Sim! A igreja do rev. Evaldo, que também está sempre na rádio.  É uma casinha em Laranjeiras... Mas não. E por quê? Primeiramente, quero ser bastante incisiva em dizer que a discussão entre se igreja é o corpo de Cristo ou a instituição não será meu foco. Não será, principalmente, porque falo a partir do protestantismo. Se fosse a partir do catolicismo, eu poderia desenrolar de uma forma completamente diferente. Porém, ...

Brincar e sacralizar

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[Gostaria de contar, bastante pessoalmente, uma das experiências místicas/espirituais que tive recentemente.] Ah, hoje não deu. Não consegui resolver o que eu precisava na pós-graduação. Estou cansada, cheia do que resolver e... nada. Sinto-me no deserto, onde não ando nem para frente ou para trás. É tudo um grande silêncio, com faltas de respostas, e um emaranhados de perguntas não resolvidas. E, dentro dessas perguntas, aonde está Deus? Aquele Deus que ficava tão de pertinho, que brincava comigo? Sinto tanta falta dele. É uma saudade do paraíso, das tardes do jardim que me destroem. Deve ser isso que as pessoas chamam de estado de pecado: a angústia de não ter Deus ali . Ou de não o sentir mais... Nessa angústia encontrei uma igreja. E, sabe, eu não gosto de igreja, mas algo havia lá que eu gostava: do silêncio, da solidão. Não demais, mais um pouco de silêncio é delicioso. E do sagrado. O sagrado me move. Era a Igreja de São Bento, que esteve em obras durante todo o per...

Uma análise sobre Retalhos

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“talvez, pensei, em vez de oferecer graças, eu deveria pedir desculpas, orar por perdão. Talvez eu devesse sentir culpa. Não. Me sinto puro como a neve.” (p.313) Eu já havia pensando em fazer  uma resenha sobre Retalhos há um tempo, porém, com o comentário de duas amigas minhas tive uma ideia de qual direção eu gostaria de falar sobre essa obra. E, de uma forma não muito inovadora, vou falar de forma geral acerca da HQ e fazer uma análise muito pessoal sobre a questão da religiosidade que aparece sempre. Fico sempre bastante impressionada que as pessoas leem Retalhos e colocam o foco tão grandemente no relacionamento dele com a Raina, sem pensar no que a Raina significou. E, para mim, uma das grandes coisas que a Raina influenciou Craig, foi a religiosidade. Retalhos – em inglês Blankets – é uma autobiografia do Craig Thompson que começa desde a sua infância até o início da vida adulta.Lançada em 2003, venceu 3 prêmios Harvey, dois prêmios Eisner (um dos mais importan...